BGS encolheu em 10 anos.
A Brasil Game Show (BGS) passou por uma transformação significativa na última década. Enquanto a edição de 2016 se destacava pela presença de grandes empresas, jogos aguardados e atrações para os visitantes, a feira de 2026 terminou sob críticas pela redução de estandes, ausência de marcas importantes e problemas na organização.
Realizada entre os dias 9 e 12 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo, a BGS 2026 apresentou algumas novidades jogáveis, mas enfrentou dificuldades para repetir a dimensão e o impacto de edições anteriores. Para quem acompanha o evento há anos, a comparação com 2016 evidencia a mudança no perfil da feira.
Entre a saída de empresas importantes e a redução das experiências oferecidas ao público, fica a pergunta: o que aconteceu com a maior feira de games da América Latina?
🎮 Como era a BGS em 2016?
Em 2016, a indústria dos videogames vivia um momento diferente. O PlayStation 4 mantinha sua liderança na geração, enquanto o Xbox One tentava recuperar espaço após um início complicado. A Nintendo, por sua vez, se preparava para apresentar o Switch, depois do desempenho abaixo das expectativas do Wii U.
Naquele período, o fenômeno Pokémon GO também dominava as conversas entre os jogadores. O título de realidade aumentada transformou a busca por criaturas virtuais em uma febre mundial.
Foi nesse cenário que a Brasil Game Show realizou sua sétima edição, em um momento de expansão. Pela primeira vez, o evento aconteceu no São Paulo Expo, próximo à região do Jabaquara, na capital paulista.
Mesmo sendo um pouco menor que a edição anterior, a feira conseguiu reunir grandes marcas, incluindo PlayStation, Xbox, Capcom, Ubisoft, Electronic Arts, Warner Games, Razer e Supercell.
🔥 PlayStation e Xbox eram os grandes destaques
Um dos principais diferenciais da BGS 2016 foi a oportunidade de experimentar jogos antes de seus lançamentos. O estande do PlayStation reuniu diversos títulos aguardados e se tornou um dos pontos centrais da feira.
Entre os jogos apresentados pela Sony estavam:
- The Last Guardian
- Horizon Zero Dawn
- Detroit: Become Human
- Final Fantasy XV
- Gravity Rush
- Call of Duty: Infinite Warfare
- Dragon Ball Xenoverse 2
- No Man’s Sky
- Uncharted 4
- Ratchet & Clank
- Bound
A Capcom também chamou a atenção ao levar Resident Evil 7 ao evento, antes do lançamento oficial do jogo, que chegaria ao mercado no ano seguinte.
Já o Xbox montou um dos maiores estandes da feira, com demonstrações antecipadas de Gears of War 4, Forza Horizon 3, ReCore e Halo Wars 2.
Além das estações de jogo, a marca promoveu campeonatos, sorteios e outras atividades. Durante o evento, também anunciou uma redução temporária nos preços do Xbox One.
A combinação de grandes lançamentos, competições e marcas conhecidas ajudou a consolidar a reputação da BGS como um dos principais eventos de games da região.
📉 BGS 2026: menos estandes e grandes ausências
Dez anos depois, o cenário mudou consideravelmente. A edição de 2026 ocorreu novamente no Distrito Anhembi, pelo segundo ano consecutivo, mas ficou marcada por espaços vazios e uma presença menor de empresas em comparação com o que muitos visitantes esperavam.
Entre as ausências mais perceptíveis estavam PlayStation e Xbox, além de marcas ligadas a hardware e acessórios para jogos, como:
- Razer
- Nvidia
- AMD
- Logitech G
- Samsung
- TCL
Algumas dessas empresas participaram da gamescom latam 2026, evento que passou a disputar espaço e atenção com a BGS.
A redução de expositores também afetou a distribuição das atrações. Os corredores mais amplos facilitaram a circulação, mas acabaram evidenciando os espaços sem estandes e atividades. A área destinada à alimentação também recebeu críticas por ocupar uma parcela significativa do local.
🕹️ Quais jogos se destacaram na BGS 2026?
Apesar das críticas, a feira ainda ofereceu aos visitantes a oportunidade de experimentar jogos que não haviam sido lançados. Entre os títulos destacados estavam produções de empresas como SEGA, Nintendo, Square Enix e Activision.
Alguns dos jogos que chamaram a atenção foram:
- Alien: Isolation 2
- Stranger Than Heaven
- Call of Duty: Modern Warfare 4
- Final Fantasy VII: Revelation
O último, porém, enfrentou uma limitação importante: havia poucas estações disponíveis para experimentação, o que dificultou o acesso dos visitantes, especialmente no sábado, dia 10 de outubro.
Esse cenário reforçou uma das principais críticas à edição de 2026: apresentar jogos aguardados é importante, mas a experiência oferecida ao público também depende da quantidade de estações, da organização das filas e da capacidade de atender aos visitantes.
⚠️ Por que as feiras de games estão mudando?
A retração da BGS também está relacionada a transformações na indústria dos videogames. Muitas empresas passaram a priorizar anúncios digitais, transmissões e apresentações próprias, em vez de concentrar grandes investimentos em eventos presenciais.
O aumento dos custos de produção e marketing também pressiona os orçamentos destinados às feiras. O encerramento da E3 se tornou um dos exemplos mais conhecidos das dificuldades enfrentadas por eventos tradicionais do setor.
No entanto, esse cenário não explica sozinho as dificuldades da BGS. Eventos como a gamescom, a BlizzCon, a Summer Game Fest e a Tokyo Game Show continuam atraindo público e empresas, apostando em formatos e experiências capazes de manter o interesse da comunidade.
A comparação sugere que, além dos desafios econômicos, a capacidade de adaptação e a construção de parcerias continuam sendo fatores importantes para a relevância de uma feira.
🤝 O que a BGS precisa recuperar?
A principal diferença entre as edições de 2016 e 2026 está na capacidade de reunir marcas relevantes e oferecer experiências memoráveis aos jogadores. Há dez anos, os estandes de grandes empresas, as demonstrações antecipadas e as atividades paralelas ajudavam a transformar a feira em um ponto de encontro para a comunidade gamer.
Para recuperar parte desse apelo, a BGS precisa enfrentar alguns desafios:
- Atrair grandes empresas: recuperar a presença de fabricantes, publicadoras e marcas ligadas ao universo gamer.
- Melhorar a distribuição dos estandes: aproveitar melhor o espaço disponível e evitar áreas que transmitam uma sensação de vazio.
- Valorizar jogos independentes e brasileiros: ampliar a visibilidade de produções que nem sempre recebem espaço nos grandes eventos.
- Oferecer experiências acessíveis: disponibilizar estações suficientes para que mais visitantes possam testar os jogos em destaque.
- Priorizar o bem-estar do público: organizar filas, atrações e áreas de circulação de maneira mais eficiente.
Levar jogos aguardados, como Final Fantasy VII: Revelation, é um ponto positivo. Porém, quando existem apenas seis estações disponíveis para uma feira que recebe um grande volume de visitantes ao longo de quatro dias, o acesso ao conteúdo acaba ficando limitado.
🎯 BGS 2016 x BGS 2026: o que mudou?
A comparação entre as duas edições mostra uma diferença marcante no perfil do evento. Em 2016, a feira se destacava pela presença de grandes marcas, pela variedade de jogos antecipados e por atividades que iam além das demonstrações.
Em 2026, mesmo com alguns títulos inéditos e oportunidades de experimentar jogos antes do lançamento, a redução de estandes e a ausência de empresas importantes comprometeram parte da experiência.
A BGS ainda tem a oportunidade de recuperar seu espaço, mas o desafio vai além de anunciar jogos conhecidos. O futuro do evento dependerá também de sua capacidade de reconquistar parceiros, valorizar a comunidade e transformar a visita em uma experiência que justifique a presença do público.





