O que achamos da Brasil Game Show.
A Brasil Game Show 2026 terminou com uma sensação diferente das edições anteriores. Com menos estandes, ativações e convidados, a feira apresentou uma experiência mais enxuta, mas ainda reservou bons momentos para quem gosta de videogames. Entre jogos inéditos, projetos independentes e experiências com inteligência artificial, encontramos motivos para aproveitar a visita.
Realizada entre os dias 9 e 12 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo, a BGS continua sendo um importante ponto de encontro para a comunidade gamer. Desta vez, porém, tivemos a impressão de que seria possível conhecer praticamente todo o evento em apenas um dia, sem aquela sensação de que ainda havia metade da feira para explorar.
Sentimos falta de mais estações para experimentar jogos, de uma variedade maior de ativações e de oportunidades para conversar com artistas e desenvolvedores. Ainda assim, a edição de 2026 nos fez lembrar de uma época em que participar de um evento de games significava, acima de tudo, descobrir jogos e se divertir.
🎮 Uma BGS que lembra os antigos eventos de games
As feiras de videogames mudaram bastante ao longo dos anos. Hoje, grandes estandes, ativações elaboradas, influenciadores, celebridades e experiências pensadas para as redes sociais fazem parte das expectativas do público.
Na BGS 2026, a escala reduzida trouxe uma sensação curiosa: em alguns momentos, parecia que estávamos de volta aos antigos eventos de games e cultura pop, de uma época em que nem utilizávamos tanto esse último termo.
A experiência ficou menos grandiosa, mas também mais simples. Era possível caminhar tranquilamente, encontrar um jogo interessante, parar para jogar, tirar fotos com cosplayers e visitar as lojinhas sem transformar o passeio em uma corrida contra o relógio.
A feira não precisava ser gigantesca para proporcionar bons momentos. Nesse sentido, a nostalgia acabou se tornando uma parte importante da nossa visita.
🕹️ Jogar antes de todo mundo continua sendo um dos grandes atrativos
Uma das melhores partes da BGS 2026 foi experimentar jogos que ainda não chegaram ao público. Vários dos títulos apresentados têm lançamento previsto para 2027, tornando a possibilidade de jogar antecipadamente um dos pontos mais interessantes do evento.
Para quem acompanha a indústria, testar uma demonstração antes do lançamento é uma oportunidade de descobrir novas propostas, observar a evolução de um projeto e conhecer títulos que talvez ainda não estivessem no radar.
Sentimos falta de mais variedade de telas e estações de jogo, mas as demonstrações disponíveis compensaram parte dessa ausência. Mesmo com menos atrações do que gostaríamos, ainda havia motivos para parar diante de uma novidade e dedicar alguns minutos a ela.
Esse continua sendo um dos aspectos que fazem a BGS valer a visita: sair de casa para experimentar algo que ainda não está disponível para todo mundo.
🎯 Call of Duty no Nintendo Switch 2: até o documento entrou na partida
Uma das experiências que chamou nossa atenção foi jogar Call of Duty no Nintendo Switch 2. Antes de começar, porém, tivemos que apresentar um documento para confirmar a idade e liberar o acesso à demonstração.
A exigência faz parte do controle de acesso a conteúdos com classificação indicativa para adultos. O detalhe engraçado é que, aos 40 anos, ainda precisamos provar que já tínhamos idade suficiente para entrar na partida. Pelo menos, dessa vez, não foi necessário apresentar um currículo para demonstrar experiência em videogames.
Brincadeiras à parte, a experiência também deixou algumas impressões técnicas. Mesmo no Nintendo Switch 2, sentimos falta de gráficos que realmente transmitissem uma sensação de nova geração.
O jogo cumpre sua função de levar a franquia a quem prefere jogar em um console portátil, mas não nos impressionou visualmente. É importante considerar que a experiência em uma feira depende da versão disponibilizada, das configurações e das condições da demonstração. Ainda assim, saímos com a impressão de que havia espaço para uma apresentação técnica mais impactante.
🔥 SEGA e Stranger Than Heaven entre as novidades
Outro destaque da visita foi o estande da SEGA, onde tivemos contato com Stranger Than Heaven. O título despertou nossa curiosidade pela proposta e pela expectativa em torno do novo projeto do estúdio responsável por Like a Dragon.
Em uma feira de games, a experiência também depende do impacto visual e da oportunidade de descobrir o que está por vir. Poder experimentar um jogo antes do lançamento é especialmente interessante quando se trata de uma produção que ainda está despertando a curiosidade da comunidade.
Esse tipo de demonstração ajuda a compreender melhor a proposta do jogo e acompanhar seu desenvolvimento. Para nós, encontrar títulos desse perfil foi um dos motivos pelos quais a BGS continuou interessante, mesmo com menos atrações no conjunto da feira.
🤖 Tripo AI mostra como a inteligência artificial pode entrar nos games
Entre as experiências mais divertidas da edição estava a presença da Tripo AI, que levou ao evento ferramentas de criação de modelos tridimensionais com inteligência artificial.
No estande, foi possível conhecer o Tripo Studio e experimentar recursos de geração de objetos e personagens 3D a partir de comandos e ideias. A empresa também apresentou o modelo Tripo P2.0, voltado à criação de assets tridimensionais que podem ser utilizados em projetos de desenvolvimento de jogos.
Mas a experiência de que mais gostamos foi a possibilidade de tirar uma foto e ver a inteligência artificial transformar nossas características em um personagem jogável. A ideia é simples de entender, divertida de experimentar e mostra como essas ferramentas podem aproximar o público de processos que tradicionalmente exigem conhecimento técnico e bastante trabalho manual.
Como funciona a experiência com LEBOT?
No jogo de luta LEBOT, desenvolvido com a API da Tripo, a tecnologia é utilizada para transformar a imagem do participante em um personagem 3D dentro da experiência.
Em vez de apenas observar uma demonstração de inteligência artificial, o visitante participa diretamente da criação e depois pode jogar com o resultado. Foi uma das ativações que realmente nos fizeram parar, experimentar, rir do resultado e querer testar novamente.
Mais do que apresentar uma ferramenta, a Tripo conseguiu transformar a tecnologia em uma experiência acessível para quem estava visitando a feira.
A inteligência artificial ainda levanta discussões importantes sobre o futuro do trabalho criativo, a autoria e o papel dos artistas no desenvolvimento de jogos. Mesmo assim, experiências como essa ajudam a visualizar, na prática, como essas ferramentas podem ser utilizadas para prototipagem, experimentação e criação de novas formas de interação.
🎮 A área indie estava menor, mas merecia atenção
Se os grandes estandes chamam a atenção pela estrutura e pelo tamanho, a área independente continua sendo um dos espaços mais interessantes para quem gosta de descobrir jogos fora do circuito das grandes publicadoras.
Na BGS 2026, sentimos falta de uma área indie mais ampla, com mais expositores e opções para experimentar. A redução dos espaços e a menor quantidade de jogos disponíveis deixaram a desejar em comparação com o que gostaríamos de encontrar.
Por outro lado, o movimento menor também teve uma vantagem: conseguimos prestar mais atenção aos projetos que encontramos. Em vez de passar rapidamente por dezenas de estações, foi possível parar, jogar e conhecer melhor algumas propostas.
Entre os destaques da nossa visita estão Beat the Champions, Onikura e os trabalhos da Too Dark Studios.
Beat the Champions
Beat the Champions aposta no futebol arcade, com partidas aceleradas e uma proposta que prioriza a diversão em vez de buscar uma simulação realista do esporte.
É o tipo de jogo que convida o visitante a experimentar, entender rapidamente as regras e se divertir com partidas movimentadas.
Onikura e a produção independente brasileira
Já Onikura segue uma linha diferente, com ação no estilo boss rush e ambientação inspirada no Japão medieval. Desenvolvido pelo estúdio brasileiro Too Dark Studios, o jogo aposta em combates contra chefes e na evolução das habilidades do personagem.
A proposta oferece um desafio interessante para quem gosta de jogos de ação. Também foi legal acompanhar a presença dos desenvolvedores independentes e suas iniciativas para atrair o público. Em uma das experiências, a possibilidade de encarar um desafio e conquistar um brinde tornou a visita ainda mais divertida.
A área indie pode ter sido menor na nossa percepção, mas continua representando uma parte fundamental da feira. É ali que encontramos propostas diferentes, projetos autorais e jogos que nem sempre teriam a mesma visibilidade nos grandes eventos.
🇧🇷 Os jogos brasileiros merecem cada vez mais espaço
O destaque dado aos jogos independentes não é apenas uma questão de gosto pessoal. O desenvolvimento de games no Brasil cresceu consideravelmente nos últimos anos.
Dados da indústria reunidos pela Abragames apontaram que o país passou de 133 estúdios em 2014 para 1.042 em 2023, com aproximadamente 13.225 profissionais atuando no setor.
Esses números ajudam a entender por que os espaços dedicados aos desenvolvedores independentes são tão importantes. Uma feira não serve apenas para apresentar grandes lançamentos internacionais: ela também pode aproximar o público de quem está criando jogos no Brasil e ampliando a diversidade da produção nacional.
Para os estúdios menores, apresentar uma demonstração, observar a reação dos jogadores e conversar diretamente com quem experimenta seus projetos pode fazer diferença na divulgação de um título.
Por isso, mesmo sentindo falta de uma área indie maior, acreditamos que esse espaço merece continuar crescendo nas próximas edições. A BGS tem a oportunidade de valorizar ainda mais a produção brasileira e ajudar o público a descobrir jogos que talvez nunca encontrasse sozinho.
📸 Cosplays, lojinhas e os pequenos momentos que fazem diferença
Nem tudo em uma feira de games precisa estar relacionado a uma grande demonstração ou a um anúncio importante. Parte da experiência também está em encontrar outros fãs, reconhecer personagens conhecidos e aproveitar o ambiente.
Mesmo com menos atrações, conseguimos tirar fotos com cosplayers, visitar as lojas e procurar produtos relacionados às nossas franquias favoritas. São atividades simples, mas que ajudam a tornar a visita mais agradável e completam o passeio.
As lojinhas continuam sendo uma parada interessante para quem gosta de colecionáveis e produtos de cultura pop. Já os cosplayers dão vida aos personagens que fazem parte do imaginário dos fãs e ajudam a manter o clima de comunidade que torna esses eventos especiais.
Esses momentos talvez não sejam os mais tecnológicos ou grandiosos da feira, mas fazem parte da experiência que buscamos quando visitamos um evento desse tipo.
⭐ Afinal, valeu a pena visitar a BGS 2026?
Sim. Apesar de a BGS 2026 ter deixado a sensação de uma feira menor, com menos estandes, atrações e convidados, conseguimos aproveitar o que ela tinha de melhor.
Jogamos novidades, conhecemos projetos independentes, experimentamos uma ativação divertida com inteligência artificial e tivemos tempo para curtir o evento sem precisar correr de um lado para o outro.
Isso não apaga as limitações. Gostaríamos de encontrar mais estações de jogo, uma área indie mais ampla, mais ativações e mais oportunidades para conversar com artistas e desenvolvedores. A redução de atrações faz diferença, especialmente para quem espera passar o dia inteiro descobrindo novidades.
Mas saímos com uma sensação positiva. Em alguns momentos, a feira nos lembrou os antigos eventos de games e cultura pop, quando a experiência era menos sobre a grandiosidade da estrutura e mais sobre estar perto dos jogos de que gostamos.
A BGS 2026 foi uma oportunidade de reencontrar essa sensação. Uma feira menor, sim, mas que ainda nos permitiu jogar, descobrir, tirar fotos, visitar lojas e nos divertir.
No fim, talvez a principal lição desta edição seja que o tamanho de um evento não determina sozinho a qualidade da experiência. A BGS poderia ter oferecido mais, e esperamos que as próximas edições recuperem parte dessa variedade. Ainda assim, para quem gosta de videogames e quer conhecer novidades em primeira mão, a visita foi proveitosa.
E, às vezes, sair de uma feira com boas lembranças, jogos novos na lista de desejos e aquela vontade de jogar mais já é motivo suficiente para considerar o passeio um sucesso.








